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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Perdeu-se a Alma

Ele acreditou piamente ... pensou que um mundo melhor surgiria de toda aquela brusca e violenta transformação. Aos poucos porém foi percebendo que seus líderes haviam perdido a alma. a brutalidade crescia. a impunidade era a regra. O desrespeito às criaturas era a norma geral. ... a impotência tomou conta de seu espírito, ... Matou-se porque perdeu toda a esperança ... uma estrada sem saída. o poeta... não pode perder a alma! [Sobre Mayakovsky][de Sandra Cavalcanti, em "Triste: nao podemos falar mais nada"][colhido da coluna do Harto Viteck 20/08/2010]

Senti ao ler um pouco do engasgo que tenho sentido com relação à nossa sociedade. Civil e religiosa.
Mandantes desalmados e desgovernados. Rumos impensados apenas tradicionalmente re-percorridos.
A alma se foi. Como irá a alma do votante e do crente (se dependesse só desses líderes e suas instituições).
[Não perdi a alma não. Estou desolado pelas almas penadas que vejo por aqui.]

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Viajar, viajei

Paulo viajou um bocado! E Atos gasta um bom tempo dizendo de onde prá onde, com quem, como. Fez parte da vida dele. E o evangelizar fazia parte natural da vida dele. Enquanto ia pelo caminho.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

DE FORA DA FESTA

Ouvindo a festa... do lado de fora   [PK dor]

Quando eu me levantei e voltei para o meu pai, e quando ele me recebeu de braços abertos, sorriu para mim, me abraçou e me beijou, além de me dar o anel dele (agora já posso assinar cheques em nome dele de novo!), e trocar as minhas roupas, aquelas todas sujas, fedendo a porco e com sujeira acumulada por meses sem lavar ou tomar banho, por outras esporte fino e com direito a um belo par de sandálias lindíssimas (as minhas havaianas já haviam se acabado muito antes de eu ter chegado no chiqueiro), ele fez outra coisa. Ele me levou para dentro da casa dele. Casa que eu havia abandonado há anos. Mas ele me fez sentir como se nunca tivesse saído e me garantiu que isso não era só um sentimento, mas que aquela casa era minha de fato. Ele, também, me fez sentir como se nunca tivesse gasto um tostão da herança que me dera, apesar de eu ter torrado tudo nas piores coisas e formas possíveis. Ele chegou a falar que nem se lembrava mais disso. Ele também nem quis me ouvir quando eu disse que não merecia tudo aquilo, que, quando muito eu poderia ser um dos faxineiros daquela casa...ou então um peão da sua fazenda, num cantinho qualquer, mas ele não aceitou nem mesmo ouvir o que eu falava.. ele me deixou sem poder falar quando me sufocou com seus abraços e beijos. Ele disse que eu era o filho dele e por isso ele estava alegre, e mais alegre ainda porque eu, o filho, havia voltado para casa. Ele me fez sentir como se nunca tivesse saído e, ao mesmo tempo, me fez sentir como se estivesse sendo adotado aquele dia. Que coisa interessante. Aí então ele fez uma festa, uma super festa, e o bom da história é que a festa continua.

No meio da dança, da música, dos muitos manjares, bebidas e de inúmeros amigos que se alegram comigo existe um porém. Pessoas que eu amo muito e que eu gostaria de ver rindo, dançando e se alegrando comigo, estão ali do lado de fora e não querem entrar.

Lá do lado de fora eles não estão chateados comigo, pelo menos não mais do que quando saí para torrar o dinheiro do pai. O que me deixa triste é que eles estão bravos com o pai. Contaram-me aqui dentro que eles lá fora deram uma dura nele. Dizem que lá fora falaram cara a cara para ele que ele não era justo e que ele estava fazendo tudo errado. Também falaram, sem rodeios, que ele não sabia distinguir bem as coisas. Mostraram por a mais b que ele não podia ter me tratado dessa forma, era só olhar o que eu tinha aprontado e ainda por cima fazer festa, pegar a melhor carne e fazer um churrasco – exatamente aquela carne que era reservada para as ocasiões mais especiais. Não era justo – as coisas não podem ser assim tão simples e boas para alguém que pecou tanto. Não deveria nem ter recebido essa ‘coisa’ de volta, mas já que o fez, no mínimo teria que ficar numa quarentena, para ver se não tem recaída, porque isso deve acontecer com certeza. Agora esse pai, nos seus arroubos de amor, já vai abraçando, banhando, vestindo, restaurando crédito, e, ainda por cima fazendo uma tremenda de uma festa? É justo isso? Deve ser a idade, não é possível! Ainda afirmaram que, eles, que sempre foram bonzinhos, eles que sempre fizeram tudo certo, eles que sempre fizeram tudo que o pai tinha mandado, que sempre ajudaram na casa e na fazenda e que nunca tinham pecado contra ele, nunca tinham gasto o dinheiro dele a toa, nunca o tinham abandonado, ele nunca fez festa para eles, pior, eles não haviam recebido nem mesmo um ‘puxeiro’ para fazer um espetinho com os amigos. Agora chega esse safado, pecador, fedendo a porco, sem um centavo no bolso porque que era um inconseqüente desmiolado, e volta numa boa, por cima como se nada tivesse acontecido? Ah não, isso não é justo, reclamam eles – do lado de fora! Disseram assim: “Pai, você vai ver que daqui a alguns dias ele pega mais um pouco de dinheiro seu, se aproveita da sua bondade e vaza no mundo outra vez... a gente conhece essa peça”.

Eu estou sabendo disso apenas porque me contaram, pois eles não estão na festa e para mim não falaram nada, até porque decidiram continuar do lado de fora. Acho que tem medo de entrar, de chegar perto, talvez porque não suportariam o tamanho da minha alegria por estar de volta à casa do meu pai. Dizem que a única coisa que as pessoas não conseguem perdoar é a alegria dos outros. Não sei se é isso ou o que é. Só sei de uma coisa, aqui dentro a festa continua e cada vez melhor. A comida é boa, a bebida é farta, a música é maravilhosa, assim como a dança e a companhia. Além do mais a porta está aberta, o convite do pai foi enfático. Ele foi lá fora tentar buscá-los, mas eles não quiseram, não aceitaram entrar, preferiram ficar do lado de fora. Eu sempre achei que todo mundo gostava de festa, mas descobri que, mesmo gostando de festa, tem gente que não vai simplesmente porque não consegue aceitar os motivos dela e assim acaba do lado de fora.. ouvindo de longe o ‘pizeiro’ maravilhoso que está rolando aqui dentro.
Lucas 15:25-32 
[PK]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O amor é um grande medo

Elienai Cabral Jr. continua um mestre de palavras emocionantes, e desconcertantes.
Contrapondo a rigidez e superficialidade masculina judaica à sensibilidade feminina ralé, Jesus ama a ralé e repreende o homem. Em verdade ama os dois, mas acaricia verbalmente aquela que o perfumou. Amar é...
"O amor desorganiza. No chão, os cacos, nas mãos afoitas de uma extravagante, o perfume irreversível embalsama o que ainda vive. Há uma Maria cujo maior medo vence todos os demais: de não ter amado muito. Porque todo amor é um grande medo. Medo demais para não viver demais."
ARTIGO COMPLETO via Pavablog

EGO-CULTIVO

Interessantemente muitos versículos falam da realização pessoal, do indivíduo e não da comunidade, família ou casal. Dando a impressão que a base da teologia é a pessoa não o conjunto. Tem lógica: o indivíduo maduro, pacificado, talvez feliz, é o ponto de partida para uma comunhão madura, pacífica e talvez feliz. Casamento, igreja, sociedade partem da pessoa única.
Veja: O Senhor é o MEU pastor e nada ME faltará; todo o salmo (os salmos) na primeira pessoa do singular.
Ou: Apresenteis os vossos corpos em sacrifícioa vivo; indivíduos se apresentam individualmente, apesar da orientação ser para a coletividade.
Ou: Quem quizer vir após mim NEGUE-SE,... TOME... SIGA
Posso pensar em  muito outros. Também há os coletivos e relacionais. Mas os relacionais também partem do indivíduo.
Disso denoto que a realização (felicidade se quizer) pessoal é de responsabilidade e iniciativa pessoal e íntima. Pouco tendo em orígem no outro(a) ou no circunstante inanimado (mundo).
Daí a necessidade do cultivo da relação íntima com Deus e consigo mesmo na meditação, no sossego, na quietude, do nada pensar, do respirar fundo, do descarregar-se, do andar na chuva apesar da tempestade mesmo que o sol tarde.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

NATAL

No cartão de natal tudo brilha. O menino tem uma luz própria, Maria sua aura, a estrela cintila, os presentes dos magos brilham, os anjos brilham.     Mas acho que Maria e José só viram o escuro próprio da primeira noite.   Difícil ver o que Deus está fazendo. Só depois quando já estiver feito. E se ninguém atrapalhar a história pode ser bonita.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PA(i)VARINI

Abrir mão de “ter razão” num conflito deixa o caminho livre para recompensas mais duradouras do que vencer a discussão. “Perde-se” a briga, mas a paz preenche o espaço que antes era ocupado por conquistas muitas vezes obtidas às custas de feridas naqueles que ousaram se interpor em nosso caminho. ...  O final de ano é a época ideal para esvaziar gavetas, sejam elas físicas ou mentais. Sambistas de uma nota só podem (e devem) enriquecer o discurso em 2010. É tempo de baixar a guarda e abrir as portas do coração. Sei que isso soa piegas, mas a paixão sempre perde intensidade quando submetida às rédeas da razão. Como nos alerta Nilton Bonder, “o adversário está mais nos próprios impulsos do que no outro”. E o rabino continua: “Já que o inimigo mora do lado de dentro, a ausência de paredes é, ao contrário de uma ameaça, a própria esperança”. Se ele vai ocupar sua cama durante o próximo período, que ao menos proporcione momentos de prazer que só a verdadeira intimidade pode dar.  Inspirados pelo filósofo Zina, a hora é de cair pra dentro, ARTIGO COMPLETO

domingo, 29 de novembro de 2009

RASCUNHO

Estou tentando ajuntar todos os pensamentos que me passam e organizá-los. Estou escrevendo este blog por mim e pelos que podem vir a lê-lo. Acho que é  uma manifestação de um desejo de ser reconhecido também. Claro que é um desejo de falar de tudo que tenho lido e ouvido; mas só o que sirva.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FREIRAS EVANGELICAIS EU CONHEÇO

A referência da "freira" aqui é simbólica, é claro. "Freira" remete à figura da mulher religiosa maníaca pelo controle das paixões e dos desejos, uma espécie de fiscal da virtude e do pecado. Ela ama castigar o pecador enquanto se olha no espelho e vê sua face como sendo a do espírito puríssimo. Não muito distante do não fumante militante que, ainda que não confesse, vê o fumante como um lixo da humanidade, alguém que tem prazer em se melar com a morte.



FREIRAS FEIAS E SEM DEUS
"Feia" é a figura da deformação interna da alma advinda desta fiscalização orgulhosa. Goza a noite em seu quartinho abafado, com a ideia de que, finalmente, aqueles que ela detesta serão humilhados. Como ratos que se escondem no escuro pra respirar seu ar doente.
"Sem Deus" é uma referência mais sofisticada. A relação entre a luta contra o pecado e o vício, por um lado, e Deus, por outro, implica a noção de piedade. Deus é uma ideia que traz em si um abismo no qual miséria humana e misericórdia divina se encontram.
Uma freira feia sem Deus é terrível porque a única coisa que ela deseja é a violência legal como controle total do pecador, sem amor algum pelo infeliz. Ao pecador resta apenas a miséria e a vergonha.

PARÁBOLA SOBRE DEUS (2)

Alguém disse que gosta das coisas que escrevo, mas não gosta do que penso sobre Deus. Não se aflijam. Nossos pensamentos sobre Deus não fazem a menor diferença. Nós nos afligimos com o que os outros pensam sobre nós. Pois que lhes digo que Deus não dá a mínima. Ele é como uma fonte de água cristalina. Através dos séculos os homens tem sujado essa fonte com seus malcheirosos excrementos intelectuais.

PARÁBOLA SOBRE DEUS

Parábola sobre Deus    [Rubem Alves]

Algumas pessoas olham através da vidraça, discutem sobre uma casa que estão vendo, ao longe.
Uma das pessoas diz que aquela casa é habitada por um nobre, de hábitos aristocráticos e conservadores. Uma outra diz o contrário, que lá mora um operário, membro do sindicato, revolucionário. Uma terceira diz que os dois primeiros estão errados: ninguém mora na casa. Ela está vazia. Pedem a minha opinião. Eu me aproximo, eles apontam através do vidro, na direção da casa. Olho, olho, e concluo que alguma coisa deve estar errada com os meus olhos. Eu não vejo casa alguma. O que eu vejo são os reflexos do meu próprio rosto, nos vidros da vidraça...

O TEMPO


LEIAM O ARTIGO ORIGINAL POR FAVOR LEIAM, leiam , leiam.           link aqui  revistaepoca



O tempo é nosso amigo [Ivan Martins ]

Ele não traz só rugas, papadas e bunda caída
Quem já teve oportunidade de namorar a mesma mulher com intervalo de alguns anos sabe: as pessoas melhoram. As duas pessoas. O sexo fica mais intenso, as conversas ganham outra densidade, a vida torna-se mais simples e o convívio, mais confortável. Aquilo que na juventude é problema chega ao futuro resolvido. Ou incorporado. É como se as pessoas parassem de ensaiar e se aproximassem, afinal, do seu papel verdadeiro na vida. Relaxam e desfrutam.
Lembro de uma conversa recente, com uma amiga mais jovem, que se queixava de dificuldades no terreno do prazer. As coisas não acontecem com ela de acordo com o moderno manual do orgasmo feliz. O que fazer? Antes, minha resposta automática seria “análise”. Vai lá, discute e paga, com o tempo melhora. Hoje, embora eu acredite em psicanálise, acho que o segredo está na parte final da frase: com o tempo melhora.
O prazer é resultado da experiência repetida e da segurança adquirida. E essas coisas crescem... com o tempo